Os sete
Antes do mundo existir os Deuses já existiam. Seres inimagináveis em poder
e sabedoria. Habitam as maiores alturas dos planos invisíveis, um mundo
onde para um mortal, nada faria sentido. O mundo que hoje conhecemos como físico, foi espelhado deste mundo espiritual. Lá, as cachoeiras caem para cima, as árvores nascem num instante e atingem alturas magníficas, algumas montanhas e ilhas do tamanho de continentes inteiros flutuam no céu, os rios são de ouro, cristal e todas jóias preciosas conhecidas e desconhecidas.
Este mundo magnífico foi criado pelo UM, o supremo Deus dos deuses. Áfangastaur é o seu nome. Criador e pai dos Sete.
Os Deuses passavam eras e eternidades disputando entre si, o seu passatempo favorito eram os vários tipos de jogos para provar seu poder, habilidades e sabedoria. Eram iguais em todos os quesitos divinos. Seus poderes eram incomensuráveis, sua infinita sabedoria era equiparada e suas habilidades eram conhecidas muito bem uns pelos outros. Assim, nunca conseguiram chegar num consenso sobre qual deles era de fato o mais forte.
Com o consenso do UM, criaram Deuses pouco menores que eles, seres também muito poderosos para que os auxiliassem nos jogos. Cada um dos Sete teve três Deuses vassalos à seu serviço. Então os jogos entre os Deuses recomeçaram. Batalhas foram travadas em seu plano etéreo, batalhas essas, que deformavam, moldavam e remodelavam seu magnífico mundo. Charadas eram propostas e eternidades se passavam até que a resposta fosse encontrada, mas sempre era. Justas entre os vassalos também sempre acabavam em empate, pois os Sete os auxiliavam, emprestavam mais poder e diziam o que tinha que ser feito. Novamente a frustração abalou os Deuses pois não tinham idéia de quem era o mais poderoso entre eles.
Áfangastaur se divertia com tudo isso e se deleitava com tudo o que seus filhos faziam para tentar provar seu valor. Decidiu então propor um novo tipo de disputa aos seus filhos. Um desafio em que eles não participariam diretamente, mas por intermédio de seus vassalos é que suas jogadas seriam feitas. O jogo consistia em os deuses criarem um novo mundo juntos, semelhante a esse o qual eles habitam. O nome desse novo mundo é Ellatas e, o significado é, o tabuleiro dos Deuses. Criariam também raças únicas e individuais para que habitassem esse novo mundo. Seres mortais, limitados em poder e de essência corruptível. Cada Deus criaria esses seres com ajuda de seus próprios vassalos.
O intuito desse jogo dos Deuses é fazer com que a sua raça seja a mais poderosa de todo aquele mundo. Guerras seriam travadas entre eles e, a raça que mais tivesse domínio sobre as outras, faria do seu Deus o campeão. A recompensa, dada pelo UM, será que este Deus, cuja raça fez dele o vencedor, será feito um Deus igual ao seu criador. O vencedor poderá criar seu próprio mundo e fazer nele o que bem entender.
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Sobre o jogo dos Deuses
O jogo funciona da seguinte forma. Os Deuses criarão as raças com a ajuda de seus vassalos e os criarão justamente com a essência desses vassalos. Ou seja, depois que tiverem criado os mortais, os vassalos não terão mais seus poderes divinos, viverão em Ellatas com os mortais e serão os porta voz dos Sete.
Cada Deus fará suas jogadas através dos seus vassalos que estão em Ellatas. A função dos vassalos é influenciar os mortais para que guerreiem uns contra os outros. O intuito dos Deuses é diminuir a população das raças de seus rivais, fazendo com que seus reinos, impérios e nações caiam. Já os artíficios que os vassalos usarão para esse intuito é infinito e dependerá muito de suas estratégias juntamente com seu Deus criador.
Os Deuses não podem interferir no livre arbítrio dos mortais, mesmo fazendo suas jogadas através de seus vassalos e colocando suas palavras em
sua boca, não poderão interferir diretamente no direito de escolha dos mortais. Da mesma forma, os vassalos também tem o seu livre arbítrio e se decidirem que não vão mais jogar o jogo dos deuses, seu Deus criador perderá. É necessário que ao menos um vassalo esteja disposto de servir de mediador entre o seu criador e os mortais.
Existem três formas de um Deus perder o jogo:
1. Se seus três vassalos decidirem que não vão mais jogar.
2. Por desistência do próprio Deus.
3. Se o último reino de uma determinada raça cair.
Mesmo que a raça não deixe de existir e cresça novamente, se o último reino,império ou nação cair, seu Deus criador perde.
Com o passar dos séculos, as raças vão se misturar e nascerão os híbridos. Essas pessoas não entram na contagem de nenhuma das raças originais, porém, também podem ser influenciados em prol de algum Deus. Novamente, depende da estratégia abordada pelo Deus criador e concretizada através de seus vassalos.
Para o jogo acontecer, os vassalos tem que influenciar as raças em prol do seu Deus, mas não estão limitados a influenciar apenas sua própria raça, mas sim todas as demais cujo Deus criador esteja participando do jogo. O vassalo do Deus criador dos Doslus por exemplo, pode influenciar a raça dos Anões e vice e versa. Os vassalos assumirão formas mortais, mesmo sendo imortais e, de tempos em tempos, poderão mudar de aparência, podendo adquirir até mesmo a aparência de uma das raças rivais.
Os únicos que não podem ser influenciados pelos vassalos são as raças cujo Deus já perdeu, seja por desistência, de seu Deus ou vassalos, ou se o último reino tiver caído. Essas raças não podem ser influenciadas, nem mesmo se voltarem a crescer em população.
Porém, se essa raça cujo Deus já perdeu, decidir por conta própria voltar a guerrear, seu Deus não voltará ao jogo e o Deus que for prejudicado por essa raça, nada poderá fazer a respeito.
Com o passar do tempo, as raças criariam suas religiões, crenças e políticas. Nenhuma delas teria real importância para os Sete. Não se importavam qual deus eles adorariam, qual seria a forma de culto e os sacrifícios oferecidos, não se importavam nem mesmo se eles, os sete, fossem chamados por outros nomes. O que importava de fato para os Deuses, era poder manipular os mortais em benefício próprio.
Para um Deus, um milênio é como um instante, uma vida como um sopro e, o mundo mortal não passa de um tabuleiro. As pessoas são meras ferramentas de suas vontades e a função de usar essas ferramentas, é dos Deuses.
Que os jogos comecem.
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Esse texto faz parte da minha obra de fantasia chamada: Crônicas de Ellatas
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